Com direção de Moacir Chaves, a comédia “Imagina esse palco que se mexe” reestreia dia 7 de abril

Sucesso de público e crítica especializada em duas temporadas consecutivas no Sesc Copacabana, indicado aos prêmios Shell e Cesgranrio na categoria Melhor Iluminacão, a mais recente montagem teatral do premiado diretor Moacir Chaves, “Imagina esse palco que se mexe”, parte de um lugar de experimento, do desenvolvimento de um método de trabalho a partir de uma ideia: Vamos falar da Física.

Falar da Física significa falar do sentido da vida e foi atrás disso que diretor e elenco, formado pelas atrizes Elisa Pinheiro, Karen Coelho, Luísa Pitta e Monica Biel, conversaram descontraidamente com o astrofísico João Ramos Torres de Mello Neto, professor titular da UFRJ, com uma importante carreira internacional. Nessas conversas, os episódios da vida de João, nascido em Cruzeiro do Sul, Acre, são atravessados por ideias e conceitos científicos com os quais ele se relaciona ao longo de sua trajetória profissional. Em sua fala, histórias de infância evocam o mecanismo de transmissão de ondas de rádio pela ionosfera; o ato de beijar alguém é associado às explosões que ocorrem no interior das estrelas; o mecanismo da visão é entendido a partir das propriedades físicas da água; o surgimento da internet vem à tona pelo caso de um cientista que, imerso na era da comunicação global, enfrenta dificuldades para trabalhar em uma universidade brasileira; e o próprio teatro serve como metáfora para a compreensão dos buracos negros e da curvatura do tempo-espaço. Assim foi se formando um texto muito bem humorado, que passa pelo elenco, como alguém que foi atingido pelo assunto. Desse processo surgiu a comédia “Imagina esse palco que se mexe”.

A nova temporada de “Imagina esse palco que se mexe” inaugura o Espaço Cultural Casa de Baco, localizado na Rua da Lapa, 243, próximo a Estação Glória do Metrô. As apresentações acontecem de sexta a domingo, às 19:30h, de 7 a 30 de abril. Após cada apresentação, o público será convidado para um bate papo descontraído sobre a peça, no charmoso bar da Casa.

Uma peça em caráter experimental

Considerado uma autoridade na transposição de textos não teatrais para o palco, entre eles “Sermão da Quarta-Feira de Cinzas” (1994 a 2001), do Padre Antônio Vieira, estrelado por Pedro Paulo Rangel, e “Inutilezas” (2003, 2016 e 2017), de Manuel de Barros, com Bianca Ramoneda e Gabriel Braga Nunes –, Moacir Chaves comenta a sua nova montagem:

– A peça é em caráter experimental, como na realidade qualquer teatro é experimental e essa é uma relação que a gente tem que entender, em teatro principalmente. Para fazer experiência tem que aprender. Quem faz experiência não é quem está começando. Se o estudante de Física entrar no laboratório e for querer fazer experiência ele vai explodir tudo. Quem faz experiência é quem está lá na ponta: Antunes, Zé Celso, Aderbal. Tem que ter conhecimento, preparação, mergulho. Quando eu dirigi o espetáculo “Dom Juan” (com Edson Celulari, Cacá Carvalho e grande elenco), com 30 e poucos anos, o Abujamra foi assistir e quis me conhecer. Quando me viu me achou muito jovem e dizia “Você tem que pirar mais! Você tem que pirar mais!” e eu falei para ele “mas Abujamra eu tenho tempo, eu tenho muito tempo pra pirar, eu preciso entender mais coisas primeiro”. Porque é esse o percurso. E os cientistas estão correndo atrás do sentido da vida, então vamos fazer teatro sobre isso. Uma experiência de teatro.

Durante as conversas com o elenco, o astrofísico e professor criou uma metáfora que pode nos indicar o sentido da peça em questão: “Na física newtoniana o palco tá lá, os atores tão lá, interagem uns com os outros, mas o palco não se mexe. Na física einsteiniana o palco tá se mexendo. Então o buraco negro é o que? Imagina esse palco que se mexe, um monte de ator que se junta e distorce muito o palco, e esse palco se fecha em torno dos atores. Seria uma peça muito louca, porque a presença do ator no palco modificaria o palco. Essa metáfora tem a ver porque o buraco negro é uma região intransponível onde tudo que entra não sai mais.”

A investigação do grupo foi guiada pelo interesse em observar o mundo que nos cerca e pelo questionamento daquilo que, nele, é tido como dado e evidente, motivado por entender as leis físicas que governam o espaço e cujo conhecimento, por si só, desmistifica a estabilidade aparente do universo e o suposto lugar de destaque nele ocupado pela humanidade. As conexões entre o micro e o macrocosmo induzem a um questionamento da importância do homem na natureza e a um reposicionamento, ou fragmentação, da noção de sujeito na sociedade: o macro está no micro, e vice-versa. O espetáculo se dá no contraponto entre a pequenez do ser humano diante da imensidão cósmica e o profundo respeito à experiência da vida, cuja compreensão ganha novos significados e horizontes através da ciência. Sendo assim, a peça aponta para as seguintes perguntas: Qual é o sentido de uma noção de felicidade calcada no pretenso sucesso e na competição com o outro, seja esse um continente, um país, uma classe, um concorrente? Que importância tem isso, diante de nossa transitoriedade material e da fragilidade de que nos sabemos possuidores, com base no pouco que a ciência conhece sobre o universo? Questões da Física Quântica que fazem parte do conceito da Cosmovisão.

Moacir Chaves, diretor de teatro

Formado em Teoria do Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio), instituição em que concluiu seu mestrado e doutorado, Moacir Chaves começou sua carreira profissional trabalhando como ator e assistente de direção no Grupo Tapa, em 1985. A seguir, fundou o Cite-Teatro, no qual dirigiu seus primeiros espetáculos, todos encenações de textos dramáticos brasileiros do século XIX. Entre outros espetáculos, participou como ator em Casa de Orates, direção de Eduardo Tolentino, O Alienista, direção de Renato Icarahy e, sob a direção de Aderbal Freire-Filho, em Turandot ou o Congresso dos Intelectuais e O Tiro que Mudou a História. Como diretor, tem tido seus trabalhos reconhecidos pelo público e pela crítica. Em 1991 montou Esperando Godot, de Samuel Beckett, com Denise Fraga e Rogério Cardoso. A seguir, encenou, entre outros, O Caixeiro da Taverna, de Martins Pena, com André Mattos e Suely Franco e Fausto, primeira parte, de Goethe. Em 1994 encenou Sermão da Quarta-Feira de Cinza, do Padre Antônio Vieira, com Pedro Paulo Rangel, espetáculo apresentado, entre 1994 e 2001 em mais de 20 cidades, no Brasil, Uruguai e Portugal. Este espetáculo recebeu os Prêmios Shell, Molière e Mambembe de Melhor Ator, além de várias outras indicações no Rio e em SP. De 1994 a 2002 dirigiu 13 espetáculos, com destaques para Roberto Zucco, de Bernard- Marie Koltès, com Marcos Breda, André Mattos e outros (Prêmio Shell de Melhor Iluminação), Dom Juan, de Molière, com Edson Celulari, Cacá Carvalho e grande elenco (Prêmios Shell e Sharp de Melhor Iluminação e Prêmios Mambembe de Melhor Espetáculo, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Figurino, além de várias outras indicações), O Altar do Incenso, de Wilson Sayão, com Marília Pêra e Gracindo Júnior e A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Bertolt Brecht, com Luís Fernando Guimarães e Oswaldo Loureiro, entre outros. Formou, em 1999, um novo grupo chamado Péssima Companhia, com o qual encenou dois espetáculos com dramaturgia sua, Bugiaria, no qual se utiliza de um processo da Inquisição do século XVI (Prêmios Governador do Estado Melhor Direção e Melhor Espetáculo e várias indicações para o Prêmio Shell) e Viver!, com textos diversos de Machado de Assis, que estreou em dezembro de 2001. Dirigiu os espetáculos infantis A História de Catarina e Lasanha e Ravioli in Casa, ambos com a dupla Ana Barroso e Monica Biel. Em 2002 dirigiu Por Mares Nunca Dantes, de Geraldo Carneiro, com Tonico Pereira, encenado no Barco Tocorimé, ancorado na Marina da Glória. Em 2003 dirigiu Inutilezas, de Manuel de Barros, com Bianca Ramoneda e Gabriel Braga Nunes, Fausto, de Goethe, com Gabriel Braga Nunes e Fernando Eiras, O Rei dos Escombros, com Ricardo Petraglia e A Violência da Cidade, no Centro Cultural Banco do Brasil. Em 2004 dirigiu Bonitinha mas Ordinária, de Nelson Rodrigues, no Teatro SESC e Idiotas que Falam Outra Língua, baseado em um conto de Rubem Fonseca, no Teatro Maria Clara Machado, ambos com alunos formandos da CAL. Participou em 2002 do Fórum para Jovens Profissionais de Teatro, dentro da programação do Festival Theatertreffen, em Berlim. Realizou em 2005 o espetáculo Utopia, com trechos do livro de Thomas More, que cumpriu temporada no Teatro Maria Clara Machado, pertencente à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, no qual exerceu a função de Diretor Artístico ao longo de 8 anos. Ainda em 2005 dirigiu a ópera barroca Dom Quixote e a Duquesa, de Boismortier e Ovo Frito, de Fernando Bonassi. Em 2006 dirigiu o espetáculo Lavanderia Brasil, de Miguel Paiva, e Memória, baseado na obra de Machado de Assis e, em 2007, dirigiu Macbeth, de William Shakespeare. Em 2008 dirigiu O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tcheckov, A Invenção de Morel, de Bioy Casares, The Cachorro Manco Show, de Fábio Mendes e O Mez da Grippe, com textos de Valêncio Xavier e Qorpo-Santo. Em 2009 dirigiu Por Um Fio, de Drauzio Varella, Uma História de Pouco Amor, de Edson Bueno e Ecos da Inquisição, de Miriam Halfim. Em 2010 encenou Merci, texto do autor francês Daniel Pennac. Em 2011 dirigiu A Lua Vem da Ásia, de Campos de Carvalho, Labirinto, com textos de Qorpo-Santo e O Retorno ao Deserto, de Bernard-Marie Koltès. Em 2012 dirigiu A Negra Felicidade, dramaturgia de Moacir Chaves e Duas Mulheres em Preto e Branco, de Ronaldo Correia de Brito. Em 2013 dirigiu O Controlador de Tráfego Aéreo, no qual também assina a dramaturgia. Em 2014 dirigiu Rei Lear, de William Shakespeare. Em 2015 dirigiu 2.500 por Hora, de Jacques Livchine e Hervée de Lafond e, em 2016, dirigiu uma nova versão de Inutilezas, de Manuel de Barros, com Bianca Ramoneda e Gabriel Braga Nunes, que continua em circulação pelo país.

Ficha técnica

Direção: Moacir Chaves
Elenco: Elisa Pinheiro, Karen Coelho, Luísa Pitta e Monica Biel
Texto: Dramaturgia coletiva a partir de relatos do astrofísico João Ramos Torres de Mello Neto
Iluminação: Paulo César Medeiros
Figurinos: Inês Salgado
Direção Musical: Tato Taborda
Direção de Produção: Luísa Pitta e Monica Biel
Assistência de Direção: Francisco Ohana
Fotos de Divulgação: Bruna Thimotheo
Assessoria de Imprensa: Ney Motta

Serviço

“Imagina esse palco que se mexe”
Sinopse: Com muito bom humor, a peça compartilha com o público o questionamento de uma noção de felicidade calcada no pretenso sucesso e na competição com o outro, seja ele um país, uma classe, um concorrente. E lança a pergunta: Que importância tem isso, diante da nossa transitoriedade material e da nossa fragilidade no universo, algo que o pouco de ciência que conhecemos já nos permite saber?
Direção: Moacir Chaves
Elenco: Elisa Pinheiro, Karen Coelho, Luísa Pitta (stand in: Josie Antello) e Monica Biel
Texto: Dramaturgia coletiva a partir de relatos do astrofísico João Ramos Torres de Mello Neto
Local: Espaço Cultural Casa de Baco
Rua da Lapa, 243, Glória, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 3796-6191
Temporada: 7 a 30 de Abril. Sexta, sábado e domingo às 19:30h
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia entrada)
Capacidade de público: 30 lugares
Duração: 60 minutos
Classificação 12 anos
Comédia

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