segunda-feira, 2 de maio de 2016

Zezé Motta com o carnavalesco
Marcio Puluker ***
Na tarde deste domingo com uma feijoada pra lá de badalada, o Acadêmicos do Sossêgo, escola do Largo da Batalha, no município de Niterói, campeã do Grupo B, lançou  oficialmente seu enredo.
Seria um evento comum de uma escola de samba, se não fosse a participação da homenageada e peça principal do enredo que a escola levará para a avenida. 
Zezé Motta, atriz e cantora, compareceu ao evento e, ao lado do carnavalesco Marcio Puluker, não só leu a sinopse, como também brindou os presentes com a sua voz.  

Com o título, "Zezé Motta, a Deusa de Ébano", o carnavalesco Márcio Puluker, que estava em 2016 na Inocentes de Belford Roxo, atravessou a baía e promete fazer um grande Carnaval na Marquês de Sapucaí, brindando a agremiação com sua permanência na Série A.

Não menos estreante na Sossêgo, é tambem Mestre Átila, que comandará os ritmistas da Swing da Batalha tendo à frente, a bela Camila Macedo, rainha de bateria e, auxiliando outro estreante, o intérprete Leandro Santos. Ambos levarão a parte musical da escola e com certeza entoarão o ritmo de desfile que fará os componentes evoluírem com muita garra e animação.

Conheça a sinopse e abaixo do enredo - veja as fotos do evento.

Zezé Motta - A Deusa de Ébano

Ora yê yê "Oxum", ora yê yê minha mãe! Ecoam tambores para lhe reverenciar!

Nascida na terra da "cana caiana", foi minha "frágil força" que me impulsionou a mostrar mais que minhas "sete faces" no ilusório cenário artístico. Assim, aos palcos de Dionísio subi para deixar de ser eu e ser muitas outras.

O que tive de enfrentar para traçar meu caminho "pouco me importa". Para alcançar um destino "romântico" sofri muito "castigo". Pelo meu "negrito" jeito de ser, "ai de mim", incomodei bastante a civilizada sociedade que "dança" com hipocrisia.

Reconhecida pelo meu talento, minha luz é quem "prateia" as minhas conquistas ao longo de uma vitoriosa carreira de atriz e cantora. Hoje, em estado de graça, alcanço o auge de minha vida como cantriz. "O samba mandou me chamar" para me elevar à categoria de Deusa de Ébano, nessa emocionante homenagem carnavalesca.

Comecei no teatro, estreando profissionalmente como atriz na polêmica obra de Chico Buarque, "Roda Viva", peça censurada pela ditadura. Fiz rir e chorar. Participei de outro importante espetáculo, "7 - O musical", fazendo com "paixão" o que mais gosto nessa vida: atuar e cantar.

Foi a sétima arte que me deu a esperada fama. "Magrelinha" com "o dengo que a nega tem" e uma sensualidade à flor da pele, numa mistura de raça e cor. Dei vida a personagens marcantes nos filmes "Quilombo", "Águia na Cabeça", "Orfeu" e, sobretudo, "Xica da Silva", que me imortalizou e me lançou ao estrelato internacional.

Paralelamente à vida de atriz, aos poucos brotou a cantora. Nas boates Telecoteco e Balacobaco, nas quais primeiro tive "o direito à vida" de cantar as "dores de amores", de soltar minha voz, na "doce esperança" de mostrar este meu outro dom, o meu canto de resistência que tanto fascina, para "ter você comigo", bem mais perto de mim. Meu sorriso largo transborda minha alma "feiticeira" na alegria de viver.

Atuar e cantar. Sempre soube que era essa a "chave dos segredos" que realiza esta mulher guerreira e mística na ribalta, que veio ao mundo numa "trovoada" para ser atrevida e, com atitude, conquistar tudo o que quer, com "decisão" e muita sabedoria.

"O sangue não nega" o furor que se avassala dentro de mim e me torna, mesmo sem eu querer, uma "divina criatura". Aos olhos dos meus fãs, uma diva. Por isso, "onde o sol bate e se firma", abrem-se as cortinas para que eu possa me doar por inteira, realizada, na "divina saudade" de uma "negra melodia".

A "senhora liberdade" abriu as asas sobre mim, me dando força para lutar contra o preconceito. Meu "pecado original" e uma intensa consciência racial só reforçam minha militância nas causas do negro, pelas quais lutarei até o fim com "autonomia".

No horário nobre da televisão me joguei no "corpo a corpo", rompendo os grilhões do racismo por um amor proibido entre uma mulher negra e um homem branco. E da intolerância fui "a próxima vítima", vivendo uma rica empresária numa sociedade que não aceita a ascendência em igualdade da "negritude" brasileira.

Agora, brilhando nesse sagrado palco da folia, "crioula" com muito orgulho e dignidade, "trocando em miúdos", venho aqui me apresentar no meu melhor papel:

- "Muito prazer, eu sou Zezé"!

Pesquisa e texto: Julio Cesar Farias
Carnavalesco: Marcio Puluker

Observação: as palavras e expressões destacadas referem-se às músicas e elementos
da vida artística de Zezé Motta.




























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