Espetáculo baseado na obra de Samuel Beckett, dirigido pela grande Inez Viana, estreia semana que vem no Teatro Ipanema.

Idealizado por Fabricio Belzoff, Michel Blois e Rodrigo Nogueira, integrantes da ocupação No Lugar, do Teatro Ipanema, e da companhia Pequena Orquestra, o espetáculo “O que você vai ver”, foi criado especialmente para o projeto Companhia Provisória. Com estreia marcada para 05 de setembro, no Teatro Ipanema, a montagem, inspirada no espetáculo “Todos que caem”, de Samuel Beckett, tem direção de Inez Viana e questiona até que ponto a matéria invisível do som dá conta do teatro. O que se vê é o que se ouve numa rádio, mas e no teatro? Ou o que se ouve precisa ser visto, ou não? No elenco,Cesar AugustoFabricio BelzoffNanda FélixJoana LernerMarcelo ValleMichel Blois e Rodrigo Nogueira.

“Há na proposta cênica do espetáculo "O que você vai ver" a desterritorialização do corpo do ator do palco para o etéreo da voz, representado pela intensidade e tonalidades da interpretação – somente o som do Verbo. Em princípio, não há linguagem no Som, a linguagem é uma elaboração humana para representar o real, o território. A paisagem sonora do espectador do séc. XXI reflete não só a natureza que o rodeia, a arquitetura sonora da cidade, mas também o imaginário dessa mesma natureza representado e figurado nas várias formas de entretenimento audiovisual. Uma memória de uma reconstrução e composição sonora analógica e digital reciclada, adulterada, mas tomada como verdade ou até memória afetiva. Quem ouviu uma galinha ao vivo? Ficamos assim com o Som dançando com a personagem, com os seus anseios, medos, amores, traições, desejos. Não é rádio, pois estamos no Teatro, onde, queiramos ou não, as nossas emoções se concentram em imagens idealizadas do que pensamos ver e ouvir.”, explica Raul Ribeiro, design de som e sonoplasta.

 COMPANHIA PROVISÓRIA

Nesse projeto, a Pequena Orquestra recebe integrantes de outras companhias para formarem um grupo temporário que cria um espetáculo com um diretor convidado.

A busca pela reinvenção, o desejo de experimentar novas formas de criação e a vontade de aprofundar os conhecimentos práticos e teóricos através da troca entre artistas, grupos e público, foram as principais motivações da Pequena Orquestra, que a levaram a querer realizar o projeto Companhia Provisória. Uma forma de alinhar o desejo de criação com a necessidade de expansão.

Já participaram do projeto os espetáculos: “Dolce & Copacabana”, que reuniu os grupos Pequena Orquestra e Nós do Morro, com texto e direção Sharon Smith e Simon Will – Gob Squad (Alemanha); “Hoje é ontem também”, reunindo as companhiasPequena Orquestra, Cia Inutilezas e Cia Dani Lima, com texto e direção de Lola Arias (Argentina); e “Peça Romântica para um teatro fechado”, que reuniu os grupos Pequena Orquestra, Cia Teatro Independente, Cia dos Outro e Teatro Clube Paradoxo,com texto e direção Tiago Rodrigues (Portugal).

Este projeto foi contemplado pelo PRÊMIO FUNARTE DE TEATRO MYRIAM MUNIZ/2013


PEQUENA ORQUESTRA

Em seis anos de atividade, a Pequena Orquestra se tornou um grupo de teatro bastante atuante na cena contemporânea da cidade do Rio de Janeiro. O coletivo é responsável pelos espetáculos "Madrigal em Processo" e “Dentro", pela ocupação do Teatro Ipanema "No Lugar" e pelo intercâmbio "Cia Provisória". A pesquisa da performance, dança e artes visuais é um dos principais interesses para criar seus espetáculos. A Pequena Orquestra acredita que a autonomia de criador e sua postura crítica em relação ao mundo são as condições principais para se fazer teatro nos dias de hoje. Fazem parte do coletivo: Fabricio Belsoff, Joana Lerner, Keli Freitas, Michel Blois, Nanda Félix, Pedro Henrique Monteiro, Rodrigo Nogueira e Thiare Maia.

 INEZ VIANA

No teatro, trabalhou com vários diretores como, dentre os quais Aderbal Freire, Enrique Diaz, Miguel Fallabela, Charles Möeller e Claudio Botelho, João Moreira Salles, Jorge Fernando, Cécil Thiré, Sérgio Britto, Domingos Oliveira, Luiz Antônio Martinez Correa. 

Atuou em mais de 20 peças, novelas, filmes e shows.

Desde 2009 Inez Viana é a diretora do OmondÉ, companhia de teatro que fundou com mais nove atores e que tem três peças em seu currículo: 
2009 - 'As Conchambranças de Quaderna' de Ariano Suassuna 
2011 - 'Os Mamutes' de Jô Bilac
2013 - 'Nem mesmo todo o oceano' de Alcione Araújo

Fora da Cia OmondÉ, dirigiu os espetáculos:
'Amor Confesso', de Arthur Azevedo (2011)
'Maravilhoso', de Diogo Liberano (2013)
'Cock - Briga de Galo', de Mike Bartlett (2014) 
'Meu Passado me Condena', de Tati Bernardi (2014)
'Não vamos pagar!', de Dario Fo (2014)
'O que você vai ver', livremente inspirado em ‘All That Fall’, de Samuel Beckett (2014).

Em 2013 realizou uma temporada do show “Samba no Teatro”, no SESC de Copacabana, no Rio de Janeiro. O espetáculo produzido por Claudia Marques, com direção musical de João Callado, contou com a participação do cantor Pedro Miranda.

Em 2012 lançou, pelo selo Fina Flor, o CD “Samba no Teatro”, com participações de Sergio Britto em “Tatuagem” (Chico Buarque e Ruy Guerra), Pedro Miranda em “No tabuleiro da baiana” (Ary Barroso) e Chico Buarque em “Biscate” (Chico Buarque). O disco, produzido por João Callado, incluiu um repertório de 12 sambas criados entre os anos de 1914 e 2005, dentre os quais “O forrobodó” (Chiquinha Gonzaga), “Tipo zero” (Noel Rosa), “Eu e o meu amor” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), “Pop pop popular” (Eduardo Dussek), “Cacilda” (José Miguel Wisnik).

Foi indicada ao prêmio Shell (2010 e 2011) pela direção dos seguintes espetáculos: 'As Conchambraças de Quaderna' e 'Amor Confesso'. E ao Prêmio APTR (2010) por 'As Conchambraças de Quaderna'. Ganhou o Prêmio Contigo pela direção do espetáculo 'As Conchambranças de Quaderna' e o Prêmio FITA de melhor direção por 'Os Mamutes'.

Em 2009 participou do musical “Sassaricando - E o Rio Inventou a Marchinha”, de Claudio Botelho e Charles Möeller.

Em 2007 estrelou a peça “A mulher que escreveu a bíblia”, texto de Moacyr Scliar adaptado por Thereza Falcão. 

Em 2004 atuou no espetáculo “Orlando Silva - O Cantor das Multidões”, de Tuca Andrada.

Em 2002 protagonizou o musical “Elis - Estrela do Brasil”, dirigido por Diogo Vilela e apresentado nos CCBBs do Rio de Janeiro e de São Paulo. Participou do projeto “Mulher canta samba”, ao lado de Cristina Buarque e Verônica Sabino, apresentado na Sala Sidney Muller, no Rio de Janeiro.

Nos anos de 2000 e 2001 ficou em cartaz com o musical “Cole Porter – Ele nunca disse que me amava”, de Charles Möeller e Claudio Botelho, no qual interpretou a mãe do compositor estadunidense.

Em 1999 dirigiu o documentário “Cavalgada à Pedra do Reino”, baseado no romance de Ariano Suassuna e exibido pelo Canal Multishow. Participou do musical “A flor do samba”, de Gustavo Gasparini, apresentado na casa Mistura Fina, no Rio de Janeiro.

No ano de 1987 estrelou o musical “Gardel - Uma Lembrança”, sob a direção de Aderbal Freire Filho.


NO LUGAR

A residência artística do Teatro Ipanema, No Lugar, surgiu do desejo da Pequena Orquestra de levar para o teatro não só uma programação de excelência, mas também um olhar sobre a própria maneira de se produzir arte no país: o teatro como produtor de seu próprio teatro. Sendo assim, além de pautar espetáculos de grupos e autores brasileiros, nós idealizamos e produzimos uma série de atividades: eventos de arte visual, festivais de música, performance, intercâmbios e peças. Além de ser uma das criadoras do “Festival Dois Pontos".


SOBRE SAMUEL BECKETT

Samuel Beckett (1906-1989) nasceu na Irlanda. Sua obra é composta de peças para teatro, rádio, televisão, novelas, romances, poemas, ensaios, traduções e um roteiro para cinema. Ganhador do Prêmio Nobel de 1969 e autor bilingüe, revolucionou a cena teatral do séc. XX. Sua dramaturgia dialoga acidamente com a tradição ocidental e permanece desafiando a modernidade.


SERVIÇO
Temporada: 05 de setembro a 05 de outubro
Local: Teatro Ipanema (Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema)
Telefone: (21) 2267-3750
Horário: Sexta e Sábado, às 21h. Domingo, às 20h.
Valor: R$20,00
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 222 lugares
Gênero: Comi-tragédia
Bilheteria: de quarta a domingo, das 14h até a hora do show
Sinopse: Na peça radiofônica “Todos que Caem” Samuel Beckett usa só som e silêncio para narrar a história: uma senhora que sai de casa para buscar o marido na estação ferroviária. Esse é o ponto de partida escolhido pela Pequena orquestra, a Cia dos Atores e a diretora Inez Viana para ciar um espetáculo que questiona até que ponto a matéria invisível do som dá conta do teatro. O que se vê é o que se ouve numa rádio, mas e no teatro? Ou o que se ouve precisa ser visto, ou não?


FICHA TÉCNICA
Companhia Provisória: Cia dos Atores e Pequena Orquestra
Texto: Rodrigo Nogueira
Criação Dramatúrgica: Pequena Orquestra e Inez Viana livremente inspirado na obra All that fall, de Samuel Beckett(“Todos que caem”, tradução de Fátima Saadi)
Direção: Inez Viana
Elenco: Cesar Augusto, Fabricio Belsoff, Nanda Félix, Joana Lerner, Marcelo Valle, Michel Blois e Rodrigo Nogueira
Cenografia: Rebecca Belsoff
Sound Designer: Raul Ribeiro
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Arte Gráfica: Rafael Medeiros
Mídias Sociais: Marina Murta
Fotos: Carlos Cabéra
Produção: Ordinárias Produções Artísticas Ltda e Nome da Firma Produção e Comunicação Ltda
Coordenação de Projeto e Direção de Produção: Fabricio Belsoff e Michel Blois
Produção Executiva: Natasha Corbelino
Idealização: Fabricio Belsoff, Michel Blois e Rodrigo Nogueira
Parceria: Copiadora Ipanema
Agradecimentos: Isabel Sangirardi, Equipe do Teatro Ipanema, Equipe da Residência Artística No Lugar, Fátima Saadi, Rubens Rusche, Léa Viveiros, Diana Herzog, Patrick Sampaio, Rossini Viana Jr, Ana Paula Monteiro, Pedro Henrique Monteiro, Adriano Guimarães, Fernando Guimarães, Marcelo Olinto, Bel Garcia e Gabriela Dottori
Apoio: Ministério da Cultura e da Fundação Nacional de Artes



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