Espetáculo "Amores", de Domingos Oliveira, teve sua temporada prorrogada até 06 de junho.

Cia Os Dezequilibrados faz segunda montagem da grande obra de

Domingos Oliveira encenada pela primeira vez há 18 anos

Os Dezequilibrados completam 18 anos em 2014. Para comemorar, a companhia planejou a montagem de três novos trabalhos que estrearão esse ano, celebrando a sua história e também o seu momento atual. Em 2013, Os Dezequilibrados receberam o patrocínio da Petrobras por meio do programa de subvenção a grupos teatrais. O projeto se estende até 2016 e prevê uma série de atividades, dentre as quais a manutenção da SEDE DAS CIAS, localizada na Escadaria Selarón, Lapa, centro do Rio. Reaberta em agosto de 2013 sob a gestão d’ Os Dezequilibrados e da Nevaxca Produções, a casa vem se firmando como um espaço voltado para o repertório de grupos de teatro, tendo outras duas companhias residentes além dos Dezequilibrados, a Cia. dos Atores e a Pangeia cia.deteatro.

O primeiro espetáculo do projeto “18 Anos Dezequilibrados” a estrear será Amores, de Domingos Oliveira, sob a direção de Ivan Sugahara. Com patrocínio do FATE (Fundo de Apoio ao Teatro da Prefeitura do Rio), a peça ficará em cartaz na SEDE DAS CIAS de março e junho, a partir do dia 15 de março até o dia 06 de junho, de sexta a segunda, às 20h. Depois será a vez de “Fala comigo como se fosse a chuva e me deixa ouvir”, também com patrocínio do FATE, peça de Tennessee Williams que será dirigida por Ivan Sugahara, de modo itinerante, na Casa da Glória, ficando em cartaz de junho a agosto; e por último “Jardins Portáteis”, espetáculo performático de Cristina Flores, que será realizado em parceria com a Pangeia cia.deteatro em julho e agosto na SEDE DAS CIAS.

AMORES

Sob a direção de Ivan Sugahara, o espetáculo tem no elenco Ângela Câmara, José Karini e Saulo Rodrigues (integrantes da companhia), além de Ana Abbott, Lívia Paiva e Lucas Gouvêa. O espetáculo estreia 15 de março, na SEDE DAS CIAS, onde permanece em cartaz de sábado a segunda, às 20h, até 28 de abril.

Trata-se da segunda montagem de Amores, que até então só havia sido encenado por seu autor nos anos 90, quando foi laureado com os prêmios Shell e Estado do Rio de Janeiro de Melhor Texto em 1997. Em 2001, a sua versão cinematográfica, dirigida pelo próprio Domingos Oliveira, recebeu os prêmios da Crítica, do Júri Popular e de Melhor Direção no Festival de Gramado.

A peça traça um painel das relações afetivas no final do século XX, cheio de encontros e desencontros. Comprometido com o retrato da instabilidade dos relacionamentos, Domingos faz uma crônica dos costumes amorosos e conflitos familiares da classe média urbana nos anos 90. A trama aborda as mudanças comportamentais da época: o desejo de família num momento em que o mundo tende a fragilizá-la, as vicissitudes e separações amorosas de um tempo assolado pelo fantasma da Aids.

Vieira (José Karini) é um escritor da TV Globo prestes a perder o emprego, enquanto se degladia com sua filha Cíntia (Lívia Paiva) tentando controlar sua excessiva liberdade. Telma (Ângela Câmara), maior amiga de Vieira, é casada com Pedro (Saulo Rodrigues). Não quiseram ter filhos, mas agora, com Telma na casa dos 30, estão querendo e não estão conseguindo, o que está pondo o casamento em perigo. Luiza (Ana Abbott), irmã de Telma, é uma atriz fracassada que ganha a vida contando piadas em bares. Apaixona-se loucamente pelo pintor Rafael (Lucas Gouvêa), mas descobre que ele é soropositivo.

Como poucos autores, Domingos têm a poética instauradora do amor como necessidade da vida, como urgência do existir. Amores se estrutura com as surpresas ocasionadas pela vida a provocar o desenvolvimento da trama. É nesta capacidade de surpreender a vida como ela é que ele mostra o seu talento, a sua imensa capacidade de dramaturgo. Aparentemente simples, o texto revela um enfoque de inusitada importância sobre as afinidades eletivas na sociedade contemporânea. Para Domingos, quando se ama, os códigos éticos e sociais ficam arquivados, desviando-se de qualquer vinculação simplista no enfoque e estabelecendo, isto sim, uma espécie de arte poética do amar.

Em meio ao caos sentimental dos casais de Amores, no qual despontam também o conflito geracional e o problema da Aids, a burocracia e a atividade artística, em sua total dependência de uma estrutura governamental que as ampare, vivem um igual embate de idéias, valores, ódio e amor. Contudo, o enredo é otimista. Mas otimista a partir do mundo real, sem o falso final feliz. Domingos não cria mundos imaginários e seu otimismo não tem nada de alienado. Ao contrário, cria uma alternativa revolucionária à falta de saída e ao pragmatismo do mundo capitalista contemporâneo. Sua peça procura oferecer uma reflexão sobre o estágio da evolução do amadurecimento (ou não) das relações afetivas. Fala de um tempo de muitas liberdades, com personagens extremamente humanos simplesmente tentando viver o mais dignamente possível.

O diretor Ivan Sugahara optou por manter a história nos anos 90 mantendo as referências que o texto faz à época, tal como o governo de Fernando Henrique Cardoso, a participação de Lilian Wite Fibe no Jornal da Globo, filmes como “Filadélfia” e “Thelma e Louise”, a existência da Telerj ou ainda a presença de uma secretária eletrônica em cena. A época também será evocada por meio de músicas, figurinos, objetos e decoração. O teatro da SEDE DAS CIAS será transformado em um loft que será usado para situar as três casas em que a ação da peça se passa (casa de Vieira, casa de Rafael e casa de Telma e Pedro). Deste modo, haverá uma fusão de três espaços em um - com a sobreposição de ações concomitantes e paralelas - em que os atores circularão destilando uma interpretação cômica, nervosa, veloz, típica dos filmes de Woody Allen, uma das grandes referências de Domingos Oliveira. O público ficará sentado em cadeiras dispostas dentro desse loft sendo convidado a penetrar na intimidade dos personagens.

OS DEZEQUILIBRADOS

Fundada em 1996 e sediada no Rio de Janeiro, a companhia conquistou a crítica especializada e o público carioca, formando uma platéia cativa. A sua criatividade vem sendo constante matéria da imprensa, sublinhada por renomados jornalistas. Suas peças já receberam diversas indicações a prêmios e participaram de uma série de turnês e festivais teatrais, circulando por todo o Brasil. Dirigida por Ivan Sugahara e integrada pelos atores Ângela Câmara, Cristina Flores, José Karini, Letícia Isnard e Saulo Rodrigues, a companhia caracteriza-se pelo desenvolvimento de uma séria e elaborada pesquisa de linguagem nas esferas da encenação, da dramaturgia e da atuação.

Com uma linguagem cênica contemporânea e arrojada, a companhia vem buscando potencializar a comunicação entre o espetáculo e o público. Para tanto, partiu de uma pesquisa sobre a recolocação espacial da cena, com peças em espaços não convencionais ou que subvertem a ocupação do edifício teatral. Utilizando procedimentos como a itinerância, a interatividade e a proximidade com o espectador, a companhia vem buscando deslocá-lo de uma posição basicamente observadora, exterior ao espetáculo, para uma outra em que ele se integra à cena, estando dentro do espetáculo e, em alguma medida, fazendo parte dele.

Com 16 peças no currículo, o grupo é responsável por espetáculos como “A Serpente” (2012), “A Estupidez” (2011), “Memória Afetiva de um Amor Esquecido” (2008), “Combinado” (2003), “Vida, o Filme” (2002), “Bonitinha, mas Ordinária” (2001) e “Um quarto de Crime e Castigo” (1999).

FALA COMIGO COMO A CHUVA E ME DEIXA OUVIR

A segunda montagem a estrear será a versão do grupo para “Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir”, de Tennessee Williams. A peça apresenta um casal cuja relação está em crise. Em um quarto no auge do verão, o homem e a mulher trocam palavras, mas não se comunicam. O desejo de bebida para amenizar o calor só é menor do que o desejo de falar, mas não necessariamente um com o outro. Desgastados, não conseguem se relacionar, nem se separar. A trama concentra em apenas um ato o desespero existencial que marca a obra de Williams. Em seu íntimo, os personagens sabem que o amor não pode salvá-los da solidão. Assim, por meio deste casal em crise, o dramaturgo faz um retrato emocionado e pungente da própria condição humana. Um jogo ao mesmo tempo realista e simbolista, marcado pela constante chuva que cai fora da casa, traduzindo a melancolia das suas almas. O grupo pretende dar à peça uma linguagem poética, recorrendo ao uso de procedimentos cinematográficos, como projeções, legendas e vozes em off, elementos plásticos como água e fumaça, além de música e dança. A montagem será dirigida por Ivan Sugahara e terá no elenco os atores Ângela Câmara e Saulo Rodrigues, integrantes da cia. Os dezequilibrados. Com patrocínio do FATE (Fundo de Apoio ao Teatro da Prefeitura do Rio), o espetáculo será encenado de modo itinerante na Casa da Glória de 29 de maio a 16 de agosto, de quinta a sábado às 21h.

JARDINS PORTÁTEIS

A última montagem a estrear será “Jardins Portáteis”, uma parceria d’Os Dezequilibrados com a Pangeia cia.deteatro. Desde a abertura da SEDE DAS CIAS em agosto de 2013, Cristina Flores (atriz integrante da cia. Os Dezequilibrados) vem instalando um ‘jardim portátil’ no terraço do espaço, que será usado como local de encenação do espetáculo. O jardim contém uma série de plantas e flores dispostas em planos variáveis que possibilitam a criação de paisagens diversas. Nesse ambiente natural, Cristina performará sua prosa poética que passa de momentos confessionais a crônicas do cotidiano, dividindo a cena e instrumentos musicais com João Marcelo Iglesias (integrante da Pangeia cia.deteatro) e Eduardo Pires. Deste modo, o público será conduzido por paisagens imaginárias que brotam das paisagens reais. Cheiros, cores e texturas do jardim serão combinados com o som de palavras e músicas sussurradas pelas plantas através de caixas acústicas instaladas nos vasos ou no corpo das flores. Gramados cortados em tiras convidarão o espectador a deitar-se ou sentar-se no jardim e fazer parte dele. O objetivo é levar o público a aproximar-se da paisagem e percebê-la nos detalhes, proporcionando uma experiência sensorial e poética. Com direção e dramaturgia de Cristina Flores e patrocínio da Petrobras, o espetáculo ficará em cartaz na SEDE DAS CIAS de 05 de julho a 25 de agosto, de sábado a segunda às 20h.

FICHA TÉCNICA AMORES

Texto Domingos Oliveira

Direção Ivan Sugahara

Elenco Ana Abbott, Ângela Câmara, José Karini, Lívia Paiva, Lucas Gouvêa e Saulo Rodrigues

Assistência de Direção Beatriz Bertu

Cenário Carolina Sugahara

Figurino Tarsila Takahashi

Iluminação Renato Machado

Programação Visual Luciano Cian

Fotografia Dalton Valério

Direção de Produção Marcelo Chaffim

Realização Os Dezequilibrados

SERVIÇO AMORES

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manuel Carneiro, 12 (Escadaria Selarón, Lapa)

Informações: (21) 2137-1271

Horário: de sexta a segunda, às 20h (não haverá espetáculo nos dias 10 e 11 de maio)

Ingresso: R$1,99

Duração: 80 minutos

Gênero: Comédia dramática

Bilheteria: abre uma hora antes do espetáculo

Capacidade: 40 lugares

Classificação etária: 14 anos

Temporada: de 15 de março a 06 de junho de 2014

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