terça-feira, 4 de junho de 2013

Foto: Mário Palhares - DIÁRIO SP
Por: JUSSARA SOARES jussara.soares@diariosp.com.br - BOM DIA  - VIVA

Nova escola quer usar sua bateria para resgatar ex-ritmistas de outras agremiações que vivem nas ruas

Um tamborim, uma caixa e um surdo saem às ruas no bairro da Luz, na região central de São Paulo. Embora pequena, a batucada da jovem Escola de Samba Nova Luz, quando alcança as redondezas da Praça Júlio Prestes, área conhecida como Cracolândia, é suficiente para tocar o coração do desempregado Paulo César Calixto, de 43 anos.

Ex-ritmista da Nenê de Vila Matilde, agremiação pela qual desfilou por dez anos, e da Mocidade Alegre, onde ficou sete anos, Paulo trocou o samba pelas drogas e a rua. Ao se deparar com a pequena bateria, pede licença para matar a saudade. Toca caixa, brinca no surdo e abre o sorriso banguela ao ver o tamborim. “É pele de couro mesmo? Não acredito! Deixa eu tocar!” O tamborim de pele de couro é coisa fina, tira o melhor som, segundo sambistas.

“Dá uma saudade”, diz Paulo aos integrantes da Nova Luz, agremiação que, mais do que fazer samba, quer ajudar a revitalizar o bairro e fazer um trabalho social com os moradores de rua e dependentes químicos. “O samba tem esse potencial de despertar as pessoas. Há muitos talentos perdidos nas ruas”, diz o presidente da escola, Cássio Nascimento.

Os últimos anos em que Paulo cruzou o Sambódromo foi em 2008 e 2009, quando amigos da Camisa Verde e Branco foram retirá-lo da rua para levá-lo aos ensaios. “Agora, eu quero desfilar na Nova Luz”, avisa. A escola, fundada em 2004, ainda não concorreu em nenhum campeonato, mas se apresenta em eventos e nas ruas da Luz.

Pela estatística de Paulo, outros “40 ou 50” ex-ritmistas também vivem na Cracolândia. São ex-integrantes da Vai-Vai, X-9 Paulistana, Unidos do Peruche, entre outras. “Poderíamos formar uma bateria. Só tem nego bom”, diz.

Puxador/ Mais adiante, a pequena bateria da Nova Luz ganha a voz de Rogério Almeida, de 43 anos, dos quais 25 passados na Unidos do Peruche. Apoiado num cabo de vassoura e carregando um saco, ele se aproxima cantando um samba de 2001 da Camisa. “Tem cheiro de verde no ar/ Sou índio de flecha e cocar/ E com Villas Bôas minha Barra Funda/ Faz o povo delirar.”

Rogério para de cantar e, sem cerimônia, tira os instrumentos das mãos dos integrantes da escola. “Sei tocar todos. Menos os de corda”, avisa.

Arredio, conta que foi viver nas ruas “porque quis”. No fim da batucada, não estica o papo e vai embora. Antes, promete: “Sou Peruche, mas se tiver oportunidade darei um apoio na Nova Luz”.

2 comentários :

  1. Escola de Samba Nov Luz é mais que uma Escola de Samba...

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  2. Escola de Samba Nova Luz realmente é do Povo...

    ResponderExcluir

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