sexta-feira, 31 de maio de 2013

O G.R.E.S. Em Cima da Hora, orgulhoso de sua história e do azul e branco que borda seu pavilhão altaneiro, apresenta seu enredo para o Carnaval 2014.

Em vias de completar 55 anos de glória, e retornando ao palco mágico onde o coração do sambista pulsa mais forte, realizaremos a releitura de uma de nossas maiores preciosidades, obra imortal do carnaval carioca: “Os Sertões”.


Assim é o meu lugar,
Bem longe se ouve o canto do cardeal,
Solitário canto que anuncia a barra do dia.
Desperta o sertão, marcado pela própria natureza,
Antônio é seu nome, seu caminho é longo, chão e poeira.
“Conselheiro” em suas andanças, o sol alumia as visões,
A terra é seca e o cultivo é difícil, morrem as plantas, foge ar.
Vejo o povo, sertanejo lutador, homem forte e de valor,
No destino, triste sina de morte e vida, a verdade severina.
Sua simplicidade trança sonhos, borda arte pela arte,
Faz rima bonita, e de repente a realidade é cultura.
Quando tira um versado, musicado e arretado que só,
É pra cantar as coisas boas que esse chão tem.
A fé é o esteio que sustenta os corações firmes,
É de Nossa Senhora, Cícero Romão e São João,
Que vale o corpo e a alma no momento de aflição.
Quis o Bom Jesus guiar os passos do “Conselheiro” e assim legar uma missão,
Era preciso livrar os homens do reino do “anticristo” que se erguia nesse país.
Após muito peregrinar, eis a terra liberta dos males da sociedade,
Que do alto dos seus montes avistava-se milagres acontecerem.
As leis eram de Deus, a terra dos homens, a prosperidade era de todos,
Eis o “Belo Monte”, arraial. A resistência contra os pecados do mundo, “Canudos”.
Porém, quis a crueldade e a ganancia transformar a realidade,
Foi-se o sossego, a paz e a tranquilidade,
Veio o medo, a agonia e o desespero.
Foras da lei, homens da lei, chora de tristeza o sertão,
Choravam homens, mulheres, velhos e crianças,
Os sonhos viraram poeira, a poeira o vento levou, as marcas ficaram,
Restaram ruínas, quem sobreviveu contou o que viu.
As páginas são reais, as palavras se tornaram imortais,
E os mesmos sertões que agonizaram momentos de tristeza,
Renascem na glória de um novo carnaval.
Em azul e branco, apoteose de toda raça e valentia,
Pois os jagunços lutaram até o final,
Defendendo Canudos, naquela guerra fatal.

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