Em disco inédito, Almir Guineto celebra seu “Cartão de Visita”

Após 11 anos sem gravar, sambista lança disco com 12 faixas inéditas
Álbum festeja retorno do artista ao Rio de Janeiro, sua terra natal


Aclamado em todo o País por alcunhas como “Rei do Pagode” e “Sambista Completo” e um dos expoentes do boom do samba carioca na década de 1980, Almir Guineto reencontrou a alegria. Após 11 anos longe dos estúdios e extenso período morando no interior paulista, o sambista voltou ao Rio de Janeiro para reencontrar amigos, celebrar o amor e homenagear seu “Cartão de Visita”, a capital fluminense, que dá título ao álbum inédito. No disco, Guineto solta sua voz valente, de língua solta, de quarta dose e de divisão única, seja cantando partido-alto, sua marca registrada, ou abordando questões que nortearam sua carreira, como o amor, a família, a religiosidade e a crítica social. “É um disco que reflete, de ponta a ponta, meu atual momento pessoal e profissional. Estou muito feliz”, adianta Almir. Quase totalmente autoral, o trabalho prova ainda a versatilidade, a cadência e o repertório inconfundível de Guineto como compositor.

Nascido e criado no Morro do Salgueiro, no Rio, Guineto abre o novo CD pedindo bênção aos orixás, na percussiva faixa “Mãe Iemanjá”, canção autoral do sambista em parceria com Babalu. O tema é revisitado em “Sou eu”, uma oração aberta de Almir Guineto, desta vez mais carregada de axé do que na célebre “Orai por nós”, do disco A chave do perdão, de 1982. Composta por Dudu Nobre, Magalha e Guineto, "Tá tudo mudado" traz a ironia e o humor refinado do sambista, que brinca com os atuais casais. "Já não se casa na igreja/ E querem morar separados", diverte-se na letra. Gravada por Beth Carvalho em seu mais recente trabalho, a faixa 3, "Tambor", tem a marca partideira de Guineto na maior parte dos versos. Em “Cartão de Visita”, que dá nome ao disco, ele celebra a volta pra casa e as belezas naturais da capital carioca, em uma ode à sua terra natal.

Um dos pontos mais altos do disco, "Desabafo" é um recado direto à juventude dos dias atuais. "Muita gente vai se identificar com esta música", promete Almir, antecipando que trata-se de uma conversa de pai para filho. A canção é de autoria de Brasil, Gilson Bernini e Fernando Magaça. Em "É você", Guineto esbanja talento encaixando acordes menores em uma melodia envolvente, ousada. Feliz no Rio de Janeiro, Guineto reencontrou uma velha paixão, Regina Caetano, a quem pede uma “Outra Oportunidade” em uma das faixas do novo álbum – parceria com Adalto Magalha e Daniel de Oliveira. Mas Guineto também vê se espaço para cantar os amores perdidos nos caminhos da vida em "Paixão falida", e lamenta. "Já errei três vezes", sorri Almir.

O disco traz, ainda, participações dos amigos Arlindo Cruz e Adalto Magalha nos sambas “Partideiro Caseiro” e “Dom do Criador”, respectivamente. A cereja do bolo é a bonita homenagem que Guineto, em co-criação com Magalha, faz a um dos ex-companheiros de Fundo de Quintal, na emocionante “Homenagem ao Mestre Neoci”.

O novo momento comemorado por Guineto com o álbum é, mais que uma conjugação de felicidade, um tempo de paz, de um cantor mais maduro, de um compositor sempre atento e de um Almir mais tranquilo. “Cansei, era tudo muito desgastante”, conta, lembrando que trocou os 70 shows por mês pelos atuais 10, para preservar a saúde. “Fiquei doente por oito meses, quando estava apenas compondo, sem querer gravar”, recorda-se.

O Sambista Completo percorrerá o País de norte a sul apresentando as novas canções e, mais que isso, um renovado Almir Guineto. De volta ao seu cartão de visita, o Rei do Pagode pede uma outra oportunidade.
A mais genuína música popular brasileira agradece.

Nenhum comentário

Quer fazer um comentário?

Tecnologia do Blogger.