Escolas de Samba reaproveitam o "lixo" após o desfile

G1
Pouco se perde dos adornos de uma grande escola de samba passado o desfile na avenida. "O lixo do carnaval é muito rico e reaproveitável", diz a empresária Pinah Ayoub, que vende por atacado a matéria-prima usada na montagem dos adereços das principais agremiações do país. Produtos comprados em sua loja renovam todo ano o figurino das primeiras escolas de São Paulo e do Rio. Depois seguem um ciclo que se espalha por carnavais mais modestos em todo o país.
O processo de reciclagem de fantasias e esculturas de carros alegóricos começa sem demora na segunda-feira seguinte ao desfile das campeãs, que funciona como uma grande vitrine para escolas de menor poder aquisitivo, querendo pechinchar pensando no carnaval do ano seguinte. "Tem uma escola do interior que ligou interessada em um grande número de fantasias. O que tiver em negociação, ela quer levar", disse a diretora de carnaval da Nenê de Vila Matilde, Edleia Santos.
De acordo com ela, o preço da fantasia usada pode representar apenas 10% do valor pago originalmente, tornando o garimpo pós-carnaval um bom negócio para ambas as partes, já que as peças dificilmente são reaproveitadas no próximo desfile pela mesma escola. "A desmontagem danifica a roupa e, na hora da apresentação, o conjunto tem de estar perfeito. Para a escola que leva a fantasia usada, a compra pode até determinar o próximo samba-enredo", diz Edleia.
Na Gaviões da Fiel, o carnavalesco Delmo de Moraes já separa algumas fantasias para doar à Mocidade Unida da Moóca, de São Paulo, e a Estopim da Fiel Torcida, de Diadema. Segundo ele, as afiliadas terão em 2013 temas relacionados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, homenageado este ano pela escola no Grupo Especial.
Moares também já empacota estruturas dos carros para anunciar os preços pela internet. "Não reaproveitamos nada, mas o material acaba sendo reutilizado por outros", diz ele. Das fantasias, apenas os aljofres (espécie de miçanga) e as plumas podem ser guardados na mesma escola para o ano seguinte.
O preço alto explica em parte a manutenção das plumas, geralmente importadas da África do Sul. "O quilo de uma pena grande pode custar cerca de R$ 1.200. E usamos vários quilos", diz Edleia, que guarda o material em saco plástico e ambiente escuro, prolongando sua vida útil. Na loja de Pinah Ayoub, as plumas saem em toneladas, boa parte delas de cor clara. "Se ela é branca, pode ser de várias cores até chegar no preto e as escolas reaproveitam.

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