Carnaval de Luanda: FRACO APOIO FINANCEIRO PREOCUPA GRUPOS CARNAVALESCOS


Integrantes das várias associações carnavalescas foram sensibilizados para proporcionarem um espectáculo único na Nova Marginal

O fraco apoio financeiro das empresas públicas e privadas na maior “festa do povo” está a preocupar os grupos carnavalescos, que por falta de verbas próprias, ficam impossibilitados de dar o seu máximo no dia do desfile central, disseram ontem participantes da segunda fase do curso de formação dos integrantes dos grupos.
O projeto de formação é destinado aos integrantes dos grupos apurados para o Carnaval de Luanda e serviu para os responsáveis dos grupos exporem os seus problemas, ligados na sua maioria à falta de apoios financeiros.
Alguns diretores de grupos carnavalescos presentes ontem no Marco Histórico do Cazenga, defenderam a criação de uma política de rentabilização do Carnaval mais ativa e envolvente, visto que é uma “festa do povo” e, geralmente, tem poucos apoios.
O coordenador do núcleo do Cazenga da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL), Jeovete Canda Buco, disse, durante o ato, que existe um esforço para sensibilizar as empresas sedeadas nos municípios a participarem mais na festa.
Jeovete está confiante numa boa classificação dos grupos locais na próxima edição do Carnaval de Luanda, mas falta dinheiro: “já solicitámos vários apoios aos investidores, de grandes e médias empresas, mas as reações são quase sempre negativas”.
Alguns grupos estão se preparando desde Novembro e tem demonstrado empenho e força de vontade em representarem condignamente os seus municípios. “Espero que os grupos mantenham a determinação da edição passada e melhorem os lugares conseguidos”, diz Jeovete.
Tecnicamente as coisas estão a decorrer dentro da normalidade, estando os grupos a gravar as suas canções em estúdio.

“Os grupos estão moralizados e dispostos a fazer uma boa actuação na Nova Marginal, na Praia do Bispo durante o acto central”, disse.
O administrador municipal do Cazenga, Tany Narciso, que fez a abertura oficial do curso, disse ser importante que os grupos do município juntem sinergias para serem bem representados. 
“Os nossos grupos têm que ser mais representativos, de maneira a conseguirmos alcançar melhores classificações nesta edição do Entrudo. Vamos fazer de tudo para apoia-los, de maneira a tornar esta meta uma realidade durante o próximo Carnaval”, destacou.
O presidente do grupo carnavalesco União Estrelas do Povo, do Cazenga, José Manuel Joaquim “Zé Queta”, lamentou o fato da maior parte dos gastos dos grupos provirem dos próprios integrantes do grupo. 
Apesar dos preparativos estarem a decorrer na normalidade, sublinhou que existe a necessidade de uma maior cooperação e financiamento dos grupos carnavalesco por parte da Administração Municipal do Cazenga. “Os apoios são insuficientes. Se queremos ver os grupos do município a concorrerem aos mesmo nível dos demais, então este é o momento dos apoios”. 
Zé Queta explicou que os grupos carnavalescos não necessitam apenas de apoios financeiros, mas também de materiais para aprimorarem as indumentárias e para a logística. “Muitos empresários pensam que lhes vamos pedir dinheiro. Mas não é assim. Todo o tipo de ajuda é bem-vindo”, disse.
A vice-presidente do Estrelas do Povo, Merciana Fortuna Francisco, que também esteve presente no curso, disse esperar um maior entrosamento entre os grupos e as suas administrações. “Antes, o Carnaval era para o povo. Era a forma de mostrarmos a nossa alegria, numa festa que envolvia a todos os integrantes de um bairro. Hoje é um pouco mais distante. Antes o Carnaval não era limitado só a esse dia”, disse em desabafo. 
Outro descontente com o desinteresse pelo Carnaval é o presidente do União Tunessa, Pedro Francisco, que dança há 27 anos, mas contestou o fato do Entrudo continuar a ser a maior festa popular angolana, porque precisa de apoios em todos os sentidos: “é uma realidade que precisamos de inverter urgentemente, através de exemplos positivos, como o Brasil, onde o Carnaval não é só uma festa do povo, mas também uma forma de obter verbas para o Estado e para os próprios grupos”, afirmou. 
O seu grupo tem tido a colaboração de músicos, artistas plásticos, coreógrafos e costureiros, todos do município: “apesar de uma ou outra dificuldade a classe artística sempre nos apoia, pelo menos no município do Cazenga”.

Fonte: Jornal de Angola Online

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